Em abril de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro precisou passar por mais uma cirurgia abdominal, chamada laparotomia exploradora, para investigar dores intensas e complicações intestinais. Desde então, sua recuperação tem sido lenta, levantando dúvidas sobre cicatrização prolongada, aderências intestinais e os cuidados necessários no pós-operatório.
Neste artigo, você vai entender o que é essa cirurgia, como cirurgias anteriores podem impactar a saúde da pele e por que a recuperação pode ser mais demorada em casos como o de Bolsonaro.
Entenda a complexidade da cirurgia abdominal
O que é laparotomia exploradora
A laparotomia exploradora é uma cirurgia em que os médicos abrem a parede abdominal para examinar diretamente órgãos como intestinos, fígado e estômago. É indicada quando exames de imagem não conseguem apontar a causa de dor intensa, sangramento ou suspeita de obstruções.
No caso de Bolsonaro, o procedimento foi necessário por causa de dores abdominais persistentes e suspeita de obstrução intestinal, possivelmente associada às várias cirurgias anteriores que o ex-presidente já realizou.

Cirurgias anteriores e aderências — riscos
Desde o atentado a faca em 2018, Bolsonaro já passou por mais de cinco cirurgias abdominais. Cada cirurgia aumenta o risco de formar aderências intestinais, que são faixas de tecido cicatricial que podem unir órgãos vizinhos, dificultando o funcionamento do intestino e de outros órgãos.
No entanto, essas aderências tornam novas cirurgias mais delicadas e aumentam o risco de complicações, como infecções, sangramentos e, principalmente, dificuldades no processo de cicatrização. É por isso que casos como o de Bolsonaro exigem cuidados especiais com a pele pós-cirúrgica e acompanhamento constante da equipe médica.
Por que a cicatrização está sendo mais lenta
Pele, tecidos e reconstrução da parede abdominal
Cada vez que o corpo passa por uma cirurgia abdominal, precisa reconstruir não só a pele, mas também músculos e tecidos profundos. Em pacientes com histórico cirúrgico extenso, como Jair Bolsonaro, essas estruturas já podem estar fragilizadas, com menor elasticidade da pele, menos irrigação sanguínea na região e tecido cicatricial acumulado (aderências).
Além disso, quando uma nova cirurgia precisa reabrir cicatrizes antigas, é comum que haja necessidade de reconstrução da parede abdominal, o que pode aumentar o tempo de recuperação e o risco de complicações.

Fatores que retardam a cicatrização em pacientes com múltiplas cirurgias
Algumas condições dificultam ainda mais a cicatrização da pele após múltiplas cirurgias após uma cirurgia abdominal. Entre os principais fatores estão:
- Infecções anteriores, que enfraquecem a região operada;
- Medicamentos imunossupressores, que reduzem a resposta do corpo;
- Alimentação inadequada, que compromete a produção de colágeno e nutrientes para a pele;
- Estresse físico ou emocional, que impacta diretamente na resposta inflamatória;
- Idade avançada, que naturalmente reduz a velocidade de cicatrização.
Todos esses elementos precisam ser acompanhados de perto no pós-operatório de pacientes com cicatrização prolongada, como no caso de Bolsonaro.
Cuidados recomendados no pós-operatório
Higiene e manutenção da pele ao redor da cicatriz
Após uma cirurgia abdominal, a limpeza e os cuidados com a pele ao redor da incisão são fundamentais. Por isso, é importante:
- Tomar banho com água morna e evitar sabonetes fortes ou sais de banho nos primeiros dias.
- Manter a região da cirurgia sempre limpa, seca e, se necessário, coberta até a cicatriz fechar completamente.
- Usar roupas largas para deixar a região da cicatriz mais confortável.
- Evitar toalhas ásperas para prevenir o atrito na pele.
- Se perceber dor maior, vermelhidão, inchaço ou secreção, procure um profissional de saúde imediatamente.

Mobilização precoce e fisioterapia recomendada
Ainda que o repouso seja necessário nos primeiros dias, ficar parado demais também pode atrasar a recuperação.
- Comece devagar: caminhe uns 10 minutos, algumas vezes ao dia.
- Aumente o tempo das caminhadas aos poucos, sem exagerar.
- Evite ficar muito tempo em pé parado ou levantar peso acima de 3 ou 4 quilos nas primeiras semanas.
- Use cadeiras altas e firmes para não forçar o abdome ao sentar-se ou levantar.
- Se precisar cuidar de crianças, prefira que subam no seu colo enquanto você está sentado.
A fisioterapia também pode ser indicada para fortalecer a musculatura abdominal, melhorar a postura e ajudar na cicatrização.
Alimentação, hidratação e suporte nutricional
Uma boa alimentação faz toda diferença para a cicatrização pós-cirúrgica.
- Mantenha-se bem hidratado, bebendo água regularmente.
- Dê preferência a refeições leves, ricas em proteínas, vitaminas e minerais.
- Evite alimentos muito gordurosos ou ultraprocessados.
Se houver perda de peso, dificuldade para comer ou cansaço excessivo, converse com o médico ou procure um nutricionista.
Sinais de alerta que os médicos monitoram
Após cirurgias como essa, os profissionais de saúde acompanham atentamente sinais que podem indicar complicações:
- Febre persistente;
- Vermelhidão ou inchaço ao redor da incisão;
- Dor intensa ou que não melhora com analgésicos;
- Secreção com mau cheiro na cicatriz;
- Protuberância na região operada (possível eventração);
- Náuseas ou vômitos frequentes.
Ao menor sinal de piora, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.

O que esperar nos próximos meses
Tempo estimado de recuperação (2 a 3 meses)
O tempo de recuperação de uma cirurgia abdominal, pode durar cerca de dois a três meses, mas pode variar da resposta do organismo do paciente e da ausência de complicações.
Nos primeiros dias, é normal sentir dor moderada e cansaço. Já nas semanas seguintes, a cicatriz pode ficar avermelhada, endurecida ou um pouco elevada, mas isso tende a melhorar com o tempo.
No entanto, a aparência final da cicatriz pode levar vários meses para se definir, ficando geralmente mais clara e menos perceptível.
Importância do acompanhamento contínuo
Consultas regulares com cirurgiões, clínicos e fisioterapeutas são essenciais para acompanhar a evolução da cicatriz, ajustar medicações ou orientações e prevenir qualquer sinal de complicação. Mesmo após a alta hospitalar, o acompanhamento ambulatorial pode durar alguns meses ou até mais, dependendo do caso.

Dicas para pacientes que passam por cirurgia similar
Para quem vive um cenário semelhante ao do ex-presidente, alguns cuidados ajudam a garantir uma boa cicatrização:
- Descanse sempre que sentir necessidade. Nos primeiros dias, evite qualquer esforço físico pesado.
- Movimente-se devagar. Mesmo em repouso, mexa pés e pernas para ajudar na circulação e prevenir trombose.
- Prefira alimentos leves, ricos em fibras e de fácil digestão, como frutas, verduras, peixes e carnes magras.
- Beba bastante água todos os dias. Isso ajuda no funcionamento do intestino e na cicatrização.
- Siga à risca as orientações médicas sobre higiene e troca de curativos.
- Não coce nem mexa na cicatriz.
- Utilize cinta abdominal se o médico recomendar, inclusive para dormir, mas retire apenas para banho ou higienização.
- Evite ficar em pé por muito tempo ou fazer movimentos bruscos como se agachar, esticar ou puxar objetos.
- Na hora de dormir, prefira deitar-se de barriga para cima, com as pernas levemente flexionadas para aliviar a pressão no abdome.
- É normal sentir-se mais cansado ou com menos disposição nos primeiros dias. Vá retomando suas atividades aos poucos.
- Se tiver dor intensa, vermelhidão, inchaço ou saída de secreção da cicatriz, procure seu médico.
- Não negligencie os retornos médicos, mesmo se estiver se sentindo bem.
Cada organismo reage de um jeito, então seguir as orientações médicas é fundamental para garantir uma recuperação tranquila e sem problemas no futuro.
Andrezza Silvano Barreto Enfermeira formada pela UFC | Pós-Graduanda de Estomaterapia pela UECE | Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Cuidados Clínicos pela UECE | Consultora Especialista de Produtos da Vuelo Pharma | Consultora de produtos Kalmed Hospitalar desde 2021 | Enfermeira da Equipe de Estomaterapia do Hospital Geral César Cals | Colabora externa da Liga Acadêmica de Enfermagem em Estomaterapia (UFC) desde 2020 com atuação no ambulatório de feridas e incontinência urinária | Preceptora da Pós-graduação em Estomaterapia – UFC no ambulatório de incontinência urinária