Por que diabéticos desenvolvem feridas?

O diabetes mal controlado pode acarretar em sérias complicações para o paciente. Uma delas é o surgimento de lesões de difícil tratamento, que ocorrem, principalmente nos pés. Por isso, esse conjunto de problemas é conhecido como “doença do pé diabético”. O pé do diabético é mais suscetível a lesões, pois, além de ter a pele mais fina e frágil, há o comprometimento do sistema nervoso que leva à diminuição da sensibilidade protetora dos pés. Ou seja, em muitos casos, o diabético não percebe alterações, dores, pequenos cortes, arranhões e até mesmo lesões maiores. Apenas repara que algo não está dentro da normalidade quando a ferida já está extensa ou quando há odor fétido, tornando o ferimento mais vulnerável aos processos infecciosos, gangrenas e amputações.

A grande maioria das feridas diabéticas é originada por fatores externos, como espinhos, pedras, objetos cortantes, pregos e calçados apertados. A maioria das lesões ocorre na região plantar e, por isso, essas lesões ficam conhecidas como “mal perfurante plantar”.

Tipos de feridas diabéticas

Se não tratado adequadamente e desde o início, o “pé diabético” gera consequências graves, como úlceras crônicas que podem levar a amputação. As feridas diabéticas são divididas em três classificações, conforme as descrições abaixo:

Feridas Neuropáticas: Neuropatia Sensorial é o nome dado à perda da sensibilidade dos nervos, que funciona como proteção para o organismo. Sem sentir dor ou desconforto, o diabético é incapaz de perceber a fricção de calçados apertados, objetos estranhos no sapato (pedras, por exemplo) ou lesões causadas ao pisar descalço em um objeto. Nesses casos, a pele é lesionada e o paciente demora a tomar conhecimento do problema. Já a Neuropatia Motora é caracterizada por deformidades no pé (Doença de Charcot), como perda de gordura na região plantar do pé, deformação nas articulações e outros comprometimentos. Essas alterações afetam o alinhamento do pé e a distribuição da pressão durante a caminhada, o que pode resultar em lesões por pressão.

Feridas Vasculares: Ocorrem por problemas de circulação arterial, principalmente devido à doença vascular periférica. O pé do diabético fica frio e de cor pálida, o pulso na região fica quase imperceptível, a pele fica fina e brilhante e há diminuição ou ausência de pelos. Pode haver isquemia (redução da irrigação sanguínea), necrose dos tecidos, infecção, gangrena e necessidade de amputação.

Feridas Mistas: Quando a ferida é identificada como sendo neuropática e também vascular.

Tratamento
Ao menor sinal de anomalia nos pés, é imprescindível o acompanhamento de um profissional da saúde, como médico ou enfermeiro estomaterapeuta. Se a avaria for descoberta no início, o tratamento é bastante simples, composto de técnicas que aliviam a pressão na proeminência óssea, como utilização de palmilhas, calçados especiais ou muletas. Já na presença de úlceras, é necessário fazer uso de terapia medicamentosa, muitas vezes para combater infecções, e iniciar o tratamento tópico para cicatrização da lesão.

O cuidado com a pele comprometida exige limpeza adequada da lesão e aplicação de curativos que auxiliem no processo de cicatrização, como a membrana de celulose porosa Membracel. Por conter poros, a membrana auxilia na drenagem do excesso de secreção (exsudato) e, em pouco tempo, é possível notar a regeneração total da pele, processo, geralmente, bastante doloroso e demorado.

Como evitar feridas diabéticas?

Se tratando de diabéticos, é muito importante redobrar a atenção com os membros inferiores, já que qualquer pequena fricção favorece o aparecimento de lesões que, se não tratadas, podem servir como porta de entrada para infecções. O principal cuidado é inspecionar diariamente os pés. Essa avaliação, que pode ser feita pelo próprio paciente ou por um familiar, ajuda a identificar pequenas alterações que podem evoluir para sérios ferimentos. Todas as feridas (por menores que sejam) e os pontos doloridos devem ser retratados com seriedade para o profissional de saúde logo após o surgimento. Veja abaixo outros cuidados que podem ser decisivos para manter a saúde dos pés em pacientes diabéticos.

Higienização: a limpeza regular e suave com água e sabão, seguida da aplicação de hidratantes tópicos ajuda a manter a pele saudável e mais resistente, evitando o rompimento e o surgimento de lesões.

Sapatos: avalie os calçados para garantir que se ajustam aos pés apropriadamente e que oferecem o suporte adequado. Considere calçados esportivos e meias grossas e almofadas. Existem no mercado meias diabéticas, que não restringem a circulação. Sempre verifique se não há objetos no calçado que possam machucar os pés.

Calçados especiais: em caso de deformidades nos pés ou necessidade de suportes especiais, considere a utilização de sapatos feito sob medida.

Tratamentos caseiros: nunca aplique açúcar, sal, pasta de dente ou qualquer outro produto caseiro em feridas. Lesões, infecções, cortes, arranhões e bolhas podem ser agravados por tratamento caseiros que impendem a cicatrização.

Unhas: corte as unhas com muita cautela, cuidando para não ferir a pele ou deixar partes pontiagudas que possam machucar os dedos.

Glicemia: manter os níveis glicêmicos controlados é essencial para que a doença se mantenha controlada e não acarrete em outras complicações, como o aumento do tempo de cicatrização da pele.

Os membros inferiores de pacientes diabéticos necessitam de atenção especial e, por isso, é muito importante que as orientações acima sejam seguidas. Inspecionar os pés diariamente é mais do que apenas prevenir, é garantir qualidade de vida e autonomia para o paciente. E lembre-se: ao menor sinal de alteração na pele dos pés, procure imediatamente um médico ou enfermeiro estomaterapeuta.

 

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