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Diabetes Mellitus: O Que é, Sintomas e Tratamentos

Publicação: 13 de março de 2025

Última modificação: 1 ano atrás

Diabetes Mellitus: O Que é, Sintomas e Tratamentos

Você sabia que o Brasil ocupa o 6º lugar no ranking mundial de países com mais casos de diabetes e o 3º lugar quando se fala em diabetes tipo 1?

Esses números preocupantes foram apontados pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e podem ser ainda maiores, já que 1 a cada 3 pessoas com diabetes não sabe que tem a doença.

Com o aumento dos casos de diabetes no país, entender o que é a doença, seus tipos, sintomas e aprender como prevenir se torna cada vez mais importante. Mas afinal, o que é o diabetes mellitus e como saber identificar os sinais? Continue lendo para descobrir!

O Que é Diabetes Mellitus?

O diabetes mellitus é uma doença metabólica crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue (hiperglicemia). Isso acontece quando há produção insuficiente ou má absorção de insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas.

A insulina tem a função de regular a glicose no organismo, permitindo que ela seja utilizada como fonte de energia para manter o corpo em funcionamento.

Quando esse processo não ocorre corretamente, a glicose se acumula na corrente sanguínea, podendo causar complicações sérias em diversos órgãos, como coração, rins, olhos e nervos.

Por ser uma doença silenciosa, muitas pessoas convivem com o diabetes sem saber, aumentando o risco de problemas de saúde a longo prazo.

Diabetes Mellitus: O Que é, Sintomas e Tratamentos
O diabetes é considerado uma doença silenciosa porque, muitas vezes, não apresenta sintomas – Foto: Freepik

Sintomas e Diagnóstico do Diabetes Mellitus

Os sintomas do diabetes mellitus podem variar conforme o tipo e a gravidade da doença.

No entanto, existem alguns sinais que podem indicar que o organismo não está lidando corretamente com a glicose (açúcar no sangue).

Entre os principais sintomas, estão:

  • Fome frequente;
  • Sede excessiva (polidipsia);
  • Vontade de urinar várias vezes ao dia (poliúria);
  • Formigamento ou dormência nas extremidades, como mãos e pés;
  • Perda de peso inexplicada;
  • Sensação de fadiga e cansaço excessiva;
  • Mudanças de humor;
  • Náusea e vômito;
  • Infecções recorrentes na bexiga, rins e infecções de pele;
  • Feridas ou machucados que demoram mais tempo do que o normal para cicatrizar;
  • Visão embaçada.

O exame mais comum para diagnosticar o diabetes é a glicemia em jejum, realizado após pelo menos 8 horas de jejum. Os valores de referência são:

  • Hipoglicemia: abaixo de 70 mg/dL
  • Glicemia normal: 70 a 99 mg/dL
  • Pré-diabetes: entre 100 e 125 mg/dL
  • Diabetes: acima de 126 mg/dL

Caso a glicemia em jejum esteja alterada, o médico pode solicitar outros exames para confirmar o diagnóstico, como:

  • Teste de tolerância à glicose (OGTT): realizado após a ingestão de uma solução de glicose, com medições da glicose após 2 horas. Se o valor for superior a 200 mg/dL, o diagnóstico de diabetes é confirmado.
  • Hemoglobina glicada (HbA1c): mede a média dos níveis de glicose nos últimos 2 a 3 meses. Valores acima de 6,5% indicam diabetes.

Diabetes Mellitus: O Que é, Sintomas e Tratamentos
O hemoglicoteste (HGT) com o glicosímetro é um teste de sangue que mede a quantidade de açúcar no sangue – Foto: Freepik

É importante destacar que, em casos de suspeita de diabetes, é essencial procurar um médico endocrinologista para realizar os exames e confirmar o diagnóstico.

Tipos de Diabetes Mellitus

O diabetes mellitus pode ser classificado em diferentes tipos, cada um com suas características e causas específicas.

Embora todos os tipos compartilhem o aumento da glicose no sangue, eles variam em relação ao mecanismo que causa a hiperglicemia, ao tratamento necessário e aos fatores de risco envolvidos.

Diabetes Tipo 1

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, geralmente diagnosticada em crianças e adolescentes, mas também pode ser identificado em adultos.

Nesse tipo de diabetes, o sistema imunológico ataca equivocadamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Como resultado, o organismo não consegue produzir insulina suficiente para controlar a glicemia.

Embora seja menos comum, representando cerca de 10% dos casos de diabetes, o diabetes tipo 1 exige que os pacientes se tornem dependentes de insulina.

A partir do diagnóstico, é necessário fazer aplicações diárias de insulina para controlar os níveis de glicose no sangue e garantir o bom funcionamento do organismo.

Diabetes Tipo 2

O diabetes tipo 2 é o tipo mais comum de diabetes, representando aproximadamente 90% dos casos.

Diferente do tipo 1, o diabetes tipo 2 está mais relacionado ao estilo de vida, especialmente a alimentação inadequada, o sedentarismo e a obesidade.

Nesse tipo de diabetes, o organismo desenvolve resistência à insulina, o que significa que, apesar de o pâncreas continuar produzindo insulina, ela não consegue ser utilizada de maneira adequada pelas células.

Com o tempo, o pâncreas pode não conseguir produzir insulina suficiente, levando ao aumento dos níveis de glicose no sangue. O diabetes tipo 2 é mais comum em adultos, mas vem crescendo também entre crianças e adolescentes, devido ao aumento da obesidade infantil.

Diabetes Mellitus: O Que é, Sintomas e Tratamentos
A OMS estima que, em 2025, haverá 75 milhões de crianças obesas no mundo – Foto: Freepik

A boa notícia é que, em muitos casos, o diabetes tipo 2 pode ser prevenido ou controlado com mudanças no estilo de vida, como uma dieta saudável, prática regular de exercícios físicos e controle de peso.

Diabetes Gestacional

O diabetes gestacional surge durante a gravidez, afetando entre 2% e 4% das gestantes. Esse tipo de diabetes é caracterizado por altos níveis de glicose no sangue durante a gestação, geralmente a partir do segundo trimestre.

Apesar dos sintomas nem sempre sejam visíveis, a condição pode causar riscos tanto para a mãe quanto para o bebê, como o aumento de peso do bebê e o risco de hipoglicemia (baixo nível de glicose) logo após o nascimento.

Embora o diabetes gestacional desapareça após o parto, as mulheres que tiveram essa condição têm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 mais tarde na vida.

Além disso, os bebês nascidos de mães com diabetes gestacional também têm maior probabilidade de se tornarem obesos e desenvolverem diabetes tipo 2 na idade adulta.

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O diabetes gestacional aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2 – Foto: Freepik

Causas e Fatores de Risco

As causas do diabetes mellitus variam conforme o tipo. No diabetes tipo 1, a origem é predominantemente genética e hereditária. Já no diabetes tipo 2, a doença é fortemente influenciada pelo estilo de vida, como uma alimentação rica em açúcares e gorduras e a falta de atividades físicas, levando à resistência à insulina.

Além dos fatores genéticos e da ausência de hábitos saudáveis, existem outros fatores de risco que aumentam as chances de uma pessoa desenvolver o diabetes. Entre eles estão:

  • Diagnostico de pré-diabetes;
  • Hipertensão (pressão acima de 140/90 mmHg);
  • Níveis altos de colesterol LDL (o colesterol “ruim”) e baixos níveis de colesterol HDL (o colesterol “bom”);
  • Alterações na taxa de triglicérides no sangue;
  • Excesso de peso, principalmente quando a gordura está concentrada em volta da cintura;
  • Parentes próximos (pais ou irmãos) com diabetes;
  • Doenças renais crônicas;
  • Mulher que deu à luz criança com mais de 4kg;
  • Histórico de diabetes gestacional;
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP);
  • Alimentação rica em açúcares refinados, gorduras saturadas e alimentos processados;
  • Diagnóstico de distúrbios psiquiátricos, como esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar;
  • Apneia do sono;
  • Uso de medicamentos da classe dos glicocorticoides.

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Corticosteroides sistêmicos podem causar hiperglicemia em diabéticos e não diabéticos – Foto: Freepik

Diabetes Mellitus Tem Cura?

Atualmente, o diabetes mellitus não tem cura. No entanto, a boa notícia é que, com o tratamento adequado e mudanças no estilo de vida, é possível controlar a doença.

O manejo do diabetes envolve o uso de medicamentos, insulina (no caso do diabetes tipo 1) e a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, controle de peso e a prática regular de atividades físicas.

Isso permite que as pessoas com diabetes tenham uma qualidade de vida excelente, sem grandes limitações, desde que sigam as orientações médicas e ao tratamento recomendado.

Tratamento do Diabetes Mellitus

O tratamento do diabetes mellitus varia de acordo com o tipo da doença, mas o objetivo principal é o mesmo: manter os níveis de glicose no sangue dentro da faixa considerada saudável e prevenir complicações a longo prazo.

Os pacientes que apresentam diabetes do tipo 1 precisam de injeções diárias de insulina ou utilizar bombas de infusão, que administram o hormônio de maneira contínua.

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A insulina deve ser administrada diariamente para manter a glicose no sangue em níveis normais – Foto: Freepik

Além disso, é fundamental monitorar regularmente os níveis de glicose no sangue. Para isso, recomenda-se o uso de um glicosímetro, um aparelho que mede a concentração exata de glicose e auxilia no controle da doença.

Já no caso do diabetes tipo 2, o tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos orais (metformina, sulfonilureias, acarbose) ou injetáveis (Ozempic), dependendo da gravidade do quadro.

Vale destacar que, muitas pessoas com diabetes tipo 2 também convivem com outras condições de saúde, como obesidade, sedentarismo, triglicerídeos elevados e hipertensão arterial.

Por isso, é importante um acompanhamento regular com profissionais de saúde para ajustar o tratamento conforme necessário e prevenir complicações.

Complicações do Diabetes Mellitus

Quando o diabetes mellitus não é diagnosticado ou tratado corretamente, sua evolução pode causar diversas complicações, como:

  • Doenças cardiovasculares: aumento do risco de infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco), acidente vascular cerebral (AVC) e arritmias cardíacas graves, que podem levar à parada cardiorrespiratória;
  • Neuropatia diabética: condição que afeta o sistema nervoso e aumenta o risco de úlceras e infecções, podendo levar a complicações sérias, como amputações;
  • Nefropatia diabética: doença que compromete os rins, aumentando o risco de insuficiência renal e, em casos mais graves, pode ser necessária diálise ou até mesmo um transplante renal;
  • Problemas circulatórios: especialmente nos membros inferiores (pés e pernas), que pode causar feridas de difícil cicatrização, aumentando o risco de úlceras e infecções graves;
  • Disfunção sexual: o diabetes pode causar disfunção erétil nos homens e, nas mulheres, levar à redução da libido e ressecamento vaginal;
  • Comprometimento da visão: o rompimento dos vasos sanguíneos dos olhos, pode levar a doenças como retinopatia diabética, edema macular diabético e, em casos mais graves, cegueira.

O acompanhamento médico regular, a adoção de hábitos saudáveis e o tratamento adequado são as melhores formas de prevenir e minimizar os impactos da doença no organismo.

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Check-ups periódicos são essenciais para o diagnóstico precoce de diabetes e outras doenças – Foto: Adobe Stock

Cuidados com a Pele e Feridas em Diabéticos

Pessoas com diabetes mellitus precisam ter um cuidado especial com a pele, principalmente nos pés e membros inferiores, pois a circulação deficiente e a perda de sensibilidade aumentam o risco de feridas difíceis de cicatrizar.

Além do controle rigoroso da glicemia, é fundamental inspecionar os pés diariamente. Essa avaliação pode ser feita pelo próprio paciente ou por um familiar, garantindo que qualquer alteração seja identificada rapidamente.

Mesmo ferimentos pequenos devem ser levados a sério e tratados com um profissional de saúde, assim que forem notados. Veja a seguir alguns cuidados essenciais para manter a saúde da pele e dos pés em diabéticos:

  • Higienização adequada: lave os pés diariamente com água e sabão neutro, secando bem, especialmente entre os dedos. Aplique um hidratante próprio para diabéticos para evitar rachaduras, mas nunca entre os dedos.
  • Escolha de calçados: use sapatos confortáveis, fechados e que não causem atrito. Evite andar descalço e sempre verifique se há objetos dentro do calçado antes de calçá-los.
  • Meias apropriadas: prefira meias claras de cano longo e sem elásticos apertados, pois elas evitam compressão excessiva e melhoram a circulação.
  • Corte das unhas com cuidado: mantenha as unhas cortadas retas e sem pontas afiadas, para evitar cortes que possam evoluir para infecções.
  • Tratamento de lesões: em casos de feridas causadas pelo diabetes, o uso de curativos especiais como a Membracel, pode acelerar o processo de cicatrização e reduzir o risco de infecções.
  • Evite tratamentos caseiros: nunca aplique sal, açúcar, pasta de dente ou qualquer substância caseira em feridas, pois isso pode agravar a infecção e retardar a cicatrização.
  • Monitoramento da glicemia: manter os níveis de glicose sob controle é essencial para evitar complicações e garantir uma melhor cicatrização da pele.

Caso perceba qualquer lesão, bolha, vermelhidão, inchaço ou dor nos pés, procure imediatamente um médico ou enfermeiro estomaterapeuta.

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