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O que é ostomia? Tipos, cuidados e adaptação

Publicação: 31 de março de 2025

Última modificação: 1 ano atrás

O que é ostomia? Tipos, cuidados e adaptação

O que é ostomia?

A ostomia é um procedimento cirúrgico que consiste na criação de uma abertura artificial (orifício) entre órgãos internos e o meio externo, para permitir a saída de fezes ou urina quando as vias normais estão bloqueadas ou não funcionam adequadamente.

A abertura, também chamada de estoma, pode ser feita no sistema respiratório, sistema digestório e no sistema urinário, podendo ser temporária ou permanente, dependendo da condição de saúde do paciente.

Além disso, a ostomia ocorre quando partes do intestino ou do trato urinário estão comprometidas, seja por doenças, acidentes ou condições congênitas.

O que é ostomia? Tipos, cuidados e adaptação
Ostomia é um procedimento cirúrgico que cria um caminho para eliminar urina, fezes, ou até para respiração e alimentação – Foto: Adobe Stock

Existem diferentes tipos de ostomias, classificadas de acordo com o sistema afetado:

  1. Ostomia respiratória: como a traqueostomia, realizada para permitir a respiração quando as vias aéreas estão obstruídas.
  2. Ostomia de alimentação: como a gastrostomia e jejunostomia, usadas quando há a necessidade de alimentação direta ao estômago ou intestino.
  3. Ostomia de eliminação: que inclui colostomia, ileostomia e urostomia, que permitem a eliminação de fezes ou urina através da abertura criada.

A colostomia e a ileostomia são cirurgias intestinais muito comuns, e são os tipos mais utilizados de ostomia.

Tipos de ostomias

O tipo de estoma depende da parte do intestino afetada:

1. Colostomia

A colostomia é uma cirurgia realizada no cólon (intestino grosso), para permitir a saída das fezes.

Pode ser temporária, quando o intestino precisa de tempo para se recuperar após uma cirurgia ou trauma, ou permanente, geralmente após a remoção parcial ou total do cólon, necessitando o uso contínuo da bolsa coletora.

Além disso, a colostomia pode ser classificada conforme a localização da abertura no abdômen:

  • Ascendente: localizada no lado direito do abdômen, com fezes líquidas.
  • Transversa: localizada na parte central do abdômen, com fezes pastosas.
  • Descendente e Sigmoide: localizadas no lado esquerdo inferior do abdômen, com fezes mais sólidas e evacuações mais frequentes.

O que é ostomia? Tipos, cuidados e adaptação
Colostomia descendente – Foto: Adobe Stock

Sua criança vive com colostomia? Descubra como ajudar na adaptação e garantir o bem-estar dele(a)!

2. Ileostomia

A ileostomia é semelhante a colostomia, mas a abertura é feita no íleo, que é a última parte do intestino delgado.

A cirurgia pode ser temporária, enquanto o intestino grosso se recupera, ou permanente, quando é necessário remover todo o cólon.

Esse procedimento é indicado quando há a remoção de grande parte do cólon ou reto, como em casos de doença de Crohn, retocolite ulcerativa ou câncer.

Assim como na colostomia, o paciente precisará utilizar uma bolsa de ileostomia para coletar as fezes, que, neste caso, tendem a ser mais líquidas, pois o intestino delgado não realiza a absorção completa dos nutrientes.

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3. Urostomia

Ao contrário da colostomia e da ileostomia, que lidam a eliminação de fezes, a urostomia permite a eliminação da urina.

Os estomas podem ser temporários, para interromper o fluxo urinário por um período determinado, ou permanentes, quando não é possível manter a função normal do sistema urinário ou quando a urostomia permite ao paciente uma melhor qualidade de vida.

A intervenção cirúrgica é geralmente indicada em casos de tumores, mas também pode ser necessária devido a acidentes, má formação congênita ou inflamação crônica na bexiga.

O que é ostomia? Tipos, cuidados e adaptação
Bolsa de urostomia/urina – Foto: Adobe Stock

Descubra os principais tipos de urostomia aqui.

Adaptação à ostomia

A adaptação à ostomia é um processo único para cada pessoa, especialmente nos primeiros dias após a cirurgia, quando muitos enfrentam uma combinação de desafios físicos e emocionais.

Sentimentos de medo, insegurança e vergonha são naturais e fazem parte dessa transição. No entanto, é fundamental buscar informações e orientações com profissionais de saúde especializados, como enfermeiros estomaterapeutas, nutricionistas e psicólogos que irão oferecer o suporte técnico e emocional necessário durante essa fase.

Para muitos, a sensação de “perda” do corpo pode ser um obstáculo difícil de superar, mas ao buscar apoio psicológico e a troca de experiências com familiares, amigos ou grupos de apoio, o processo se torna mais leve e acolhedor.

Lembre-se: ter uma ostomia não significa abrir mão da qualidade de vida. Você pode viver plenamente, participar de eventos sociais, manter relacionamentos e até mesmo se exercitar.

Embora o processo de adaptação seja desafiador, com paciência, apoio e os cuidados certos, a ostomia se tornará apenas um detalhe da sua vida, permitindo que você aproveite tudo o que ela tem a oferecer.

O que é ostomia? Tipos, cuidados e adaptação
Com o tempo, o ostomizado pode retomar atividades sociais e de lazer, como viajar e ir à praia, mas sempre seguindo as orientações médicas – Foto: Adobe Stock

Cuidados com a pele ao redor da estomia

Uma das primeiras etapas na adaptação à ostomia é aprender como realizar a higienização da bolsa e manter a saúde da pele ao redor do estoma (região periostomal).

Para isso, siga os cuidados abaixo:

  • Lave as mãos antes e depois de mexer na bolsa para evitar contaminações;
  • Limpe a pele ao redor do estoma com água morna e espuma de sabão, sem esfregar o local;
  • Evite produtos agressivos como álcool, colônias ou perfumes;
  • Mantenha a região seca usando uma toalha macia ou lenços de papel, sempre com cuidado para não causar fricção;
  • Apare os pelos ao redor do estoma com uma tesoura, evitando o uso de lâminas que possam causar cortes acidentais;
  • Aplique o Spray de Barreira Vuelo na pele ao redor do estoma (região periestomal) antes de colocar a nova placa. Além de auxiliar na fixação da bolsa, o spray previne irritações, granulomas e lesões causadas por infiltrações e vazamentos do conteúdo da bolsa de ostomia;
  • Recorte a placa de modo que se ajuste perfeitamente ao tamanho do estoma, evitando infiltrações;
  • Pressione suavemente a placa ao colá-la, garantindo que todo o adesivo fique em contato com a pele, mantendo a bolsa firme;
  • Coloque as cápsulas do Gelificador para Bolsas de Estomia dentro da bolsa, através da abertura superior ou inferior. Cada cápsula é capaz de gelificar até 100 mL de líquido, ajudando a controlar o volume interno e a reduzir o risco de vazamentos. Além disso, as cápsulas contêm óleo essencial de lavanda, que neutraliza odores, contribuindo para mais segurança, conforto e qualidade de vida.
  • Esvazie a bolsa antes de atingir sua capacidade máxima, prevenindo vazamentos e o acúmulo de umidade que pode danificar a pele e troque de acordo com as orientações do fabricante.
  • Use roupas confortáveis que não comprimam a área do estoma, evitando desconfortos e lesões;
  • Evite alimentos que causam gases ou desconforto abdominal, como bebidas gaseificadas e alimentos fermentáveis;
  • Mantenha-se bem hidratado, o que ajuda a manter a pele saudável e prevenir ressecamento;
  • No dia da troca da bolsa, tome um rápido banho de sol por cerca de 1-2 minutos, protegendo o estoma com uma gaze umedecida para auxiliar na cicatrização;
  • Monitore o estoma regularmente para verificar mudanças ou anomalias e consulte seu médico ou enfermeiro estomaterapeuta em caso de alterações.

O que é ostomia? Tipos, cuidados e adaptação
O Spray de Barreira Vuelo protege a pele periestoma em até 72 horas – Foto: Vuelo Pharma

Direitos das pessoas ostomizadas

As pessoas ostomizadas possuem direitos garantidos pela Lei nº 13.146/2015, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência.

A seguir, estão os principais direitos e benefícios que os ostomizados podem buscar:

  • Vagas exclusivas para PCD (Pessoa com Deficiência) nas empresas.
  • Isenção de ICMS e IPI na compra de carro adaptado.
  • Passe livre para transporte municipal, intermunicipal e interestadual.
  • Isenção do rodízio municipal de veículos.
  • Resgate da previdência privada.
  • Isenção de Imposto de Renda em caso de aposentadoria por invalidez.
  • Atendimento prioritário em serviços públicos e privados.
  • Benefício de Prestação Continuada (LOAS) para quem comprovar vulnerabilidade social.
  • Saque do PIS e FGTS em determinadas condições.
  • Amparo assistencial ao idoso e ao deficiente, quando necessário.
  • Acesso às bolsas coletoras por meio de seguros e planos de saúde.
  • Auxílio-doença e benefício assistencial.
  • Cuidados garantidos no SUS com os Serviços de Atenção às Pessoas Ostomizadas.

Além desses direitos, a Declaração dos Direitos dos Ostomizados assegura que cada pessoa ostomizada tenha o seguinte apoio:

  • Aconselhamento pré-operatório, para garantir que o paciente tenha pleno conhecimento sobre os benefícios da cirurgia e as mudanças do dia a dia com um estoma.
  • Apoio de profissionais especializados, como estomaterapeutas, tanto no pré quanto no pós-operatório.
  • Informações claras e imparciais sobre os produtos para ostomizados, com fornecimento adequado desses materiais.

Com o objetivo de garantir um atendimento mais adequado e holístico aos pacientes ostomizados, o Ministério da Saúde disponibilizou o “Guia de Atenção à Saúde da Pessoa com Estomia“, com orientações essenciais para um acompanhamento adequado.

Você tem mais dúvidas ou experiências para compartilhar sobre ostomia? Conte nos comentários e ajude outras pessoas que estão enfrentando essa nova realidade!

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