A irrigação é uma técnica de limpeza mecânica que busca regularizar a atividade do intestino. A partir desse método, é possível controlar a eliminação de fezes por meio do estoma, “educando” o intestino a funcionar a cada 24, 48 ou 72 horas.

Em muitos casos, a irrigação permite dispensar o uso da bolsa coletora durante esses intervalos, o que proporciona mais qualidade de vida ao estomizado. No lugar da bolsa coletora um sistema oclusor é acoplado ao estoma, aumentando a sensação de liberdade e segurança. A utilização desse método reflete diretamente em melhorias nas relações sociais, auxiliando na normalização das atividades do dia a dia (como trabalhar) e no convívio em sociedade.

 

Como funciona?

A base da irrigação é introduzir água no cólon através do estoma, estimulando contrações (peristalse em massa) que esvaziarão o conteúdo fecal presente no organismo. Como a técnica exige que o intestino passe por um período de adaptação, pode levar algum tempo até que esses intervalos possam realmente ser mantidos. Por isso, é importante manter a frequência da prática até que se alcance o resultado esperado.

A introdução à irrigação deve ser orientada por um enfermeiro estomaterapeuta, já que muitos detalhes precisam ser levados em consideração. A temperatura da água deve estar entre 36° C e 38° C. Temperaturas inferiores a essa podem provocar cólicas. Mais elevadas, podem irritar a parede do intestino. Outra questão importante é a altura da bolsa que, se muito alta, pode fazer com que a água entre com muita pressão, causando cólicas, e, se muito baixa, pode entrar muito lentamente, não gerando o efeito esperado. O ideal é que a bolsa com água seja pendurada na altura do ombro.

Durante o processo de adaptação, nas primeiras irrigações, sugere-se a introdução de 1 litro de água na bolsa plástica (oriente-se pelo medidor da própria bolsa). Aos poucos, a quantidade de água pode ser aumentada gradativamente, podendo chegar a até 2 litros.

Para entender melhor o processo de irrigação, assista esse vídeo, criado pela Fernanda Dall Oca Morais, do blog Colostomizei. O vídeo mostra o passo a passo do processo e como ele acontece na prática.

 

Kit para irrigação

O kit para irrigação é composto por:

  • Bolsa plástica graduada transparente com dispositivo medidor da temperatura da água;
  • Tubo conector que liga a bolsa ao cone maleável que, por sua vez, é inserido no estoma para a introdução da água;
  • Manga drenável transparente cuja saída deve ser posicionada no vaso sanitário;
  • Anel avulso para fixação da manga no estoma por meio de elástico ajustável (a manga também pode ser fixada diretamente na placa da bolsa coletora, se preferir).
kit de irrigação para colostomia

Kit para irrigação (foto: Portal Mais Saúde)

 

Posso começar a fazer a irrigação?

É importante que a indicação de utilização desse método parta do médico ou do enfermeiro estomaterapeuta, pois a técnica não pode ser utilizada por todo estomizado. Os pré-requisitos para realizar a irrigação são:

  • Ter colostomia esquerda terminal (confeccionada no cólon descendente ou sigmóide) ou dupla boca;
  • Ter condições físicas e motoras para realizar o procedimento e o autocuidado;
  • Usufruir de condições básicas de saneamento no domicílio;
  • Ausência de prolapso, hérnia, retração e lesões periestoma;
  • Não ser portador de Síndrome do Cólon Irritável.

Contraindicações: colostomias confeccionadas no cólon transverso ou ascendente; estomias de intestino delgado; estomia com complicações (hérnias ou protusão, prolapsos, estenoses e lesões periestoma).

 

Sistema oclusor

Após o procedimento de irrigação, é necessário proteger o estoma com a utilização de um sistema oclusor, uma espécie de tampão descartável e flexível. Disponível em modelos de uma ou duas peças, o oclusor possibilita o controle da eliminação de fezes e gases. É um método prático e seguro, que não gera nenhuma agressão ao ostomizado, capaz de melhorar sua qualidade de vida e auxiliar no processo de reabilitação.

Oclusor para colostomia

Sistema oclusor (foto: Portal Medsoft)

 

Dicas

Se o seu caso não apresenta nenhuma contraindicação e você pretende dar início à irrigação, as dicas abaixo podem ajudar bastante. Mesmo que você já esteja realizando o processo, as dicas são valiosas para que o resultado seja o melhor possível.

  • Hidrate-se: é imprescindível ingerir, no mínimo, 2 litros de água por dia. Quando o organismo está desidratado, o intestino absorve água, comprometendo a irrigação. Um sinal de desidratação é a saída de água muito lenta. Isso pode indicar que o intestino está absorvendo-a.
  • Relaxe: manter a musculatura do abdômen relaxada reduz a resistência do estoma, o que colabora para inserção do cone;
  • A altura da bolsa plástica (que armazena a água) influencia na pressão e na velocidade que a água entra no intestino. É importante manter a bolsa na altura do ombro para que a técnica funcione conforme o esperado;
  • Se a água começar a retornar para a mangueira de conexão, interrompa o procedimento;
  • Fique atento: ao menor sinal de mal estar, como tontura ou enjôo, interrompa o procedimento e informe seu médico ou estomaterapeuta;
  • Conforme o organismo for se adaptando, a água que sai do intestino começará a ficar mais limpa. Essa é a hora de conversar com seu estomaterapeuta para aumentar o intervalo entre as irrigações.

Apesar de exigir um pouco de paciência por parte do estomizado, o processo de irrigação é uma alternativa viável. Controlar a atividade intestinal proporciona benefícios físicos e psicológicos, como o aumento da autoestima e a diminuição da ocorrência de dermatites e lesões periestoma.

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